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Pode inserir dados de clientes no ChatGPT sem violar o RGPD?

Só pode inserir dados de clientes num chatbot público se estes forem anonimizados ou se existir base legal e contrato de subcontratação válido.

Não pode inserir dados de clientes identificáveis no ChatGPT gratuito ou Plus sem violar o RGPD, porque esses planos podem usar o conteúdo para treinar modelos e envolvem transferência de dados para fora da União Europeia sem contrato de subcontratação. Consegue fazê-lo de forma legal se usar um plano empresarial (Team, Enterprise ou API) com o Data Processing Addendum assinado e o treino de modelo desativado, ou se anonimizar os dados antes de os colar. A regra prática: se o dado identifica uma pessoa, trate-o como perigoso até provar o contrário.

Que dados contam como dados de clientes, para efeitos legais

O RGPD considera dado pessoal qualquer informação que identifique ou torne identificável uma pessoa. Isto inclui o óbvio, nome, email, morada, NIF, número de telefone, mas também combinações menos óbvias, como “o cliente da Rua X que comprou o produto Y em março”. Se colar um email de um cliente no ChatGPT para pedir ajuda a escrever uma resposta, já está a tratar dados pessoais fora do seu controlo direto. Não interessa se a intenção é boa ou se o pedido parece inofensivo, o que interessa é onde o dado vai parar.

O que acontece aos dados quando os cola no ChatGPT?

Depende do plano. Na versão gratuita e na Plus individual, por defeito, as conversas podem ser revistas por humanos e usadas para melhorar os modelos, a menos que desative essa opção em Definições, Controlo de Dados. Mesmo com essa opção desligada, os dados continuam a ser processados em servidores da OpenAI, maioritariamente nos Estados Unidos. A empresa aderiu ao EU-US Data Privacy Framework, o que cobre parte da exigência legal de transferência internacional, mas isso não substitui a necessidade de ter uma base legal e um contrato de subcontratação para tratar dados de clientes de terceiros, o que a conta individual não oferece.

Como pode usar o ChatGPT sem correr esse risco?

Há três caminhos, e não se excluem. Primeiro, mudar para um plano empresarial (ChatGPT Team custa a partir de cerca de 25 euros por utilizador por mês, faturado anualmente), que por defeito não usa os dados para treino e permite assinar o DPA da OpenAI. Segundo, anonimizar sempre antes de introduzir qualquer texto, trocando identidades reais por referências genéricas. Terceiro, usar a API da OpenAI integrada num sistema interno, onde controla exatamente que dados saem e como são registados, em vez da interface pública de chat.

Que erros vemos mais nas PME?

O mais comum é colar diretamente uma lista de clientes numa folha de cálculo para pedir ao ChatGPT que “organize” ou “resuma” os dados. O segundo é colar o conteúdo de um email de reclamação, com nome e morada do cliente, para pedir ajuda a redigir uma resposta. O terceiro, menos óbvio, é usar ChatGPT para analisar transcrições de chamadas de apoio ao cliente sem remover primeiro a identificação de quem ligou. Nenhum destes casos exige má-fé, resultam de pressa e de não perceber que a ferramenta trata os dados fora da empresa.

Quanto custa fazer isto mal feito?

O RGPD prevê coimas até 20 milhões de euros ou 4% do volume de negócios anual mundial, o que for mais elevado, para as infrações mais graves. Na prática, para uma PME, o risco mais imediato não é uma multa desse calibre, é uma reclamação de um cliente à Comissão Nacional de Proteção de Dados que obriga a explicar processos, guardar registos e, nalguns casos, notificar uma violação de dados. Isso consome tempo e reputação, mesmo sem chegar a coima.

Ajudamos PME a desenhar fluxos de trabalho com IA que não colocam dados de clientes em risco, desde escolher o plano certo até construir integrações internas que mantêm os dados dentro de casa: veja como trabalhamos IA na SO-MA.

Perguntas frequentes

Posso usar a versão gratuita do ChatGPT com dados de clientes?

Não é recomendável. Na versão gratuita e na versão Plus standard, os dados que introduz podem ser usados para treinar modelos futuros, a menos que desative essa opção manualmente nas definições de privacidade. Mesmo desativando, mantém-se o problema de transferência de dados para servidores fora da União Europeia, sem um contrato de subcontratação assinado com a OpenAI.

O que é um DPA e porque preciso de um com a OpenAI?

DPA é o Data Processing Addendum, o contrato que define como um fornecedor trata dados pessoais em nome da sua empresa, exigido pelo artigo 28º do RGPD sempre que subcontrata o tratamento de dados. A OpenAI disponibiliza este contrato para clientes empresariais (ChatGPT Team, Enterprise ou API), mas não para contas gratuitas ou Plus individuais.

Como anonimizo dados de clientes antes de os usar no ChatGPT?

Substitua nomes por identificadores genéricos como "Cliente A", remova emails, moradas, NIFs e números de telefone, e mantenha apenas a informação relevante para a tarefa, como um resumo de um pedido ou uma categoria de produto. Se precisar de reintroduzir a identidade depois, faça essa ligação fora da ferramenta de IA, num ficheiro interno que não sai da sua empresa.