Vale a pena ter o site da empresa em duas línguas?
Vale a pena quando já há procura de fora ou um plano concreto para vender noutro mercado. Veja como medir antes de pagar traduções.
Vale a pena se uma parte relevante do tráfego atual do site já vier de fora do país onde a empresa fala a língua principal, ou se a empresa tem um plano concreto (não uma intenção vaga) para vender nesse mercado nos próximos seis meses. Sem uma coisa nem outra, o investimento em tradução dificilmente se paga, e o dinheiro rende mais aplicado noutro sítio.
Como sei quanto tráfego estrangeiro já tenho?
Abra o Google Analytics ou o Search Console, vá a Localização de utilizadores, e olhe para os últimos seis meses. Se tiver uma percentagem relevante de sessões vindas de Espanha, França, Reino Unido ou onde for, já sabe que há gente a chegar ao site sem perceber bem o que lá está escrito. Isto é um facto verificável em cinco minutos, não uma suposição. Se essa percentagem for residual, o site multilingue não vai criar procura que não existe, só vai servir quem já lá estava.
Quanto custa traduzir um site, a sério?
Depende do volume de conteúdo e de quem traduz. Tradução automática revista por humano custa menos por palavra. Tradução profissional do zero, sem revisão automática, custa mais, por isso peça orçamentos à palavra para comparar. Conte as palavras do site e multiplique pelo preço por palavra de cada orçamento: é uma conta rápida. A parte que ninguém calcula é a manutenção: sempre que atualiza o site em português, tem de atualizar na outra língua, e isso é um custo recorrente, não único.
E se traduzir mas ninguém converter?
Acontece com frequência, e a razão normal não é a tradução em si, é a falta de tudo o resto: preços em moeda errada, prazos de entrega que não fazem sentido para esse país, ausência de meio de pagamento local, atendimento que depois só responde em português. Traduzir o texto é a parte mais barata e mais visível do processo, mas é a parte final, não a primeira. Se a operação por trás não está pronta para vender fora, a tradução só cria expectativa que depois falha.
Traduzir a página toda ou só partes?
Comece pelo mínimo que permite a alguém perceber o que faz e como contactar: homepage, página de serviços ou dos produtos mais vendidos, e contacto. Isto custa menos do que traduzir o site inteiro, e dá para testar durante três a seis meses se há pedidos reais a chegar nessa língua. Só depois de confirmar procura é que faz sentido traduzir o blog, as políticas e as páginas secundárias.
Quando não vale mesmo a pena?
Quando o negócio é local por natureza (um restaurante, um serviço só presencial numa cidade) e o tráfego estrangeiro é curiosidade de passagem, não cliente potencial. Também não vale a pena quando a empresa não tem capacidade de responder em duas línguas depois: um email em inglês que fica três dias sem resposta faz mais mal do que não ter site em inglês. E não vale a pena fazer isto por moda, só porque um concorrente o fez, sem olhar aos números próprios primeiro.
E se o mercado estrangeiro for uma aposta, não um facto já existente?
Aí o critério muda: não olha para tráfego que já tem, olha para o volume de pesquisa nessa língua para os termos do seu negócio, usando o Planeador de Palavras-Chave do Google Ads, que é gratuito. Se esse volume existe e é comparável ao que já gera em português, o investimento em multilingue passa a ser uma aposta de expansão, não uma resposta a procura existente. Isso é legítimo, mas é uma decisão diferente, com risco diferente, e deve ser tratada como tal, não disfarçada de “o site tem de ter as duas línguas porque sim”.
Decidir isto com números, não com intuição, é o tipo de trabalho que fazemos antes de desenhar ou traduzir seja o que for, e pode ver como noutros projetos de presença digital.
Perguntas frequentes
Quanto custa traduzir um site profissionalmente?
Não há uma tabela oficial: o preço depende do número de palavras e de quem traduz, e um tradutor profissional custa mais do que um motor automático. Numa loja Shopify, o custo sobe com o número de produtos, porque cada ficha de produto conta como conteúdo a traduzir e a manter.
Google Translate ou tradução automática chega para o site da empresa?
Chega para o utilizador perceber do que se trata, não chega para vender ou para o Google indexar bem. Texto traduzido automaticamente costuma ter erros que um cliente estrangeiro nota de imediato, e isso prejudica a confiança na marca mais do que não ter a página de todo.
Preciso de traduzir o site todo ou só algumas páginas?
Na maioria dos casos compensa traduzir só a homepage, a página de serviços ou produtos principais e a página de contacto, não o blog inteiro nem todas as páginas legais. Isso reduz o investimento inicial e permite testar se o mercado estrangeiro responde antes de traduzir tudo.
Para ler a seguir
todos os posts de Websites →- Que cláusulas verificar num contrato de website com agência? Antes de assinar confirme propriedade do código, prazos de entrega, número de revisões incluídas e custo de manutenção após o lançamento.
- Com que frequência deve atualizar o site da empresa? O conteúdo do site deve acompanhar as novidades da empresa. A estrutura técnica só se refaz quando há um problema real, não por calendário.
- Site institucional ou loja online: o que fazer primeiro? Se já vende presencialmente e quer testar online, uma loja simples chega mais depressa a resultados que um site institucional isolado.